Vanda lamellata

 

Hoje vou falar de uma planta que pertence a um dos gêneros que mais admiro e cultivo. Uma planta de crescimento monopodial e cujas lindas e arredondadas flores encantam por sua beleza e perfume. Uma espetacular orquídea que amo e reverencio. Estou falando da Vanda lamellata

 

… uma joia dos arquipélagos indonésios e filipinos

 

Vanda (abreviatura: V.) é um gênero da família Orchidaceae composto por aproximadamente 60 espécies de crescimento monopodial, nativas do sudeste asiático, desde as montanhas do Himalaia até as Filipinas, e norte da Austrália.

 

Vanda lamellata - ocorrencia GENERO VANDA JPG

Vanda  –  Ocorrência

Imagem retirada da internet – Site:
http://www.viajesoceania.com/mapa-oceania/

 

 

Porém, o número acima citado já deve ser um pouco maior pelas constantes revisões que estão sendo feitas. Recentemente alguns conhecidos gêneros como Ascocentrum, Christensonia, Euanthe e Neofinetia foram incorporados ao gênero Vanda. Difícil é conseguir se habituar a nova nomenclatura depois de anos de convívio com os nomes tradicionais.

O nome Vanda, uma palavra original em sânscrito, é creditado a Sir William Jones (1746-1794), renomado filólogo britânico que em 1784 fundou a “Asiatic Society”, em Calcutá, na Índia.

 

The Asiatic Society

Imagem retirada da internet – Site:
https://en.wikipedia.org/wiki/The_Asiatic_Society_of_Mumbai

 

 

Na ocasião, Sir William Jones estava descrevendo plantas de hábitos similares ao das orquídeas hoje conhecidas como vandáceas.

 

O gênero Vanda foi estabelecido em 1820 pelo renomado botânico e físico escocês Robert Brown (1773 – 1858), quando descreveu a espécie tipo do gênero, a Vanda tessellata, que na ocasião ele batizou de Vanda roxburghii.

Brown se notabilizou como coletor de plantas no sudoeste asiático e na Oceania. Suas mais brilhantes descobertas foram nas terras hoje conhecidas como Austrália, onde coletou, entre 1801 e 1805, perto de 4000 plantas, das quais mais da metade eram até então desconhecidas. Infelizmente, para ele e para a ciência, boa parte da sua coleção perdeu-se quando o navio Porpoise, que transportava as referidas plantas para Londres, naufragou no meio da viagem.

 

Sonhar com naufrágio

Imagem retirada da internet – Site:
www.teusonhar.com.br/sonhar-com-naufragio/

 

 

Em sua grande maioria as espécies deste gênero apresentam hábito epífita. Raras são as adaptações para vegetação de forma rupícola, fixadas em rochas cobertas de musgo, ou em solos, de forma terrestre.

Em termos morfológicos são semelhantes às plantas do gênero Phalaenopsis, com flores grandes, cheias, arredondadas e planas. Muito comuns em orquidários e floriculturas, as Vandas são muito procuradas por colecionadores e admiradores de orquídeas. E motivos não faltam:

  1. São muito fáceis de cultivar.
  2. Adaptam-se muito bem a ambientes internos como residências, escritórios comerciais, salas de reuniões, etc, sendo uma ótima opção para decoração com sofisticação e bom gosto.
  3. São plantas de pequeno a médio porte e que crescem na vertical. Não ocupam muito espaço.
  4. São plantas resistentes e que não exigem constantes trocas de vasos e substratos.
  5. As flores são de encantadora beleza.
  6. As cores podem ser as mais variadas possíveis: brancas, lilás, amarelas, verdes, rosas, púrpuras, entre outras.
  7. A pintura das flores pode ser estriada, flameada, pintalgada, lisa, etc.
  8. O tamanho das flores que pode variar de 3 a 15cm de diâmetro.
  9. A planta pode florir até três vezes por ano.
  10. Cada floração dura em média 60 dias.

 

Estas plantas só não são mais populares pelo alto valor de comercialização. E a razão é simples: o longo período de tempo entre a fecundação e a primeira inflorescência, que normalmente é superior a 10 anos.

As Vandas gostam de climas quentes e, principalmente, de umidade constante (na forma de evaporação). Por este fato, normalmente são encontradas perto de terrenos pantanosos e penduradas de árvores na beira de rios e lagos.

 

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Vanda vegetando de forma epífita

Foto retirada da internet – Site:
br.pinterest.com/pin/125678645829779855/

 

 

Agora vamos ao estudo da planta do dia, a Vanda lamellata, descrita em 1838 pelo botânico inglês John Lindley (1799 – 1865), provavelmente o mais renomado de todos orquidólogos.

 

Lindley descreveu centena de gêneros e espécies, publicou muitos artigos e livros científicos, participou na fundação da revista Gardener’s Chronicle, e em 1857 foi agraciado com a Medalha Real, homenagem da Real Sociedade de Londres para pessoas com importantes contribuições para o avanço do conhecimento da Natureza.

 

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John Lindley

Imagem retirada da internet – Site:
lmo.wikipedia.org/wiki/John_Lindley

 

 

O nome da espécie, lamellata, deriva do latim: lamellatus, que significa “lamela”, “pequena lâmina”, em referência ao par de relevos existentes no labelo da flor desta orquídea.

Sinonímia: Vanda amiensis; Vanda clitellaria; Vanda cumingii; Vanda lamellata f. flava; Vanda lamellata var. boxalii; Vanda lamellata var. calyana; Vanda lamellata var. remediosae; Vanda unicolor; Vanda vidalii e Vanda yamiensis.

É uma planta originária de uma limitada região composta por alguns arquipélagos indonésios e filipinos, incluindo Taiwan, Bornéu, lhas Ryukyu, Filipinas e Ilhas Marianas, onde vegeta de forma predominantemente epífita, em regiões litorâneas de florestas costeiras e penhascos localizados em altitudes inferiores a 300 metros.

 

Vanda lamellata - ocorrencia JPG

Vanda lamellata  –  Ocorrência

Imagem retirada da internet – Site:
http://www.viajesoceania.com/mapa-oceania/

 

 

Trata-se de uma maravilhosa vandáceae. Caule curto e resistente, com grossas raízes velamentosas originárias de sua parte inferior, podendo emergir entre as folhas, que crescem de forma alternada.

Importante observar que a grande maioria das vandáceas possuem raízes grossas. Isto porque estas plantas não possuem pseudobulbos para armazenamento de nutrientes. Assim, além das funções de fixação, absorção de nutrientes e fotossíntese, as raízes destas plantas também acumulam macro e micro nutrientes.

As folhas são grossas e suculentas, de formato lanceolado, podendo chegar a 25cm de comprimento por 2cm de largura.

As inflorescências são magníficas. Longas e eretas hastes de comprimento variando entre 20 e 30cm que brotam das axilas das folhas, suportando até 25 flores de aproximadamente 4,0cm de diâmetro, e delicadamente perfumadas.

Estas flores possuem aparência cerosa, apresentam sépalas e pétalas de tamanho e forma similares, e um pequeno e estreito labelo típico do gênero. Em todas as estruturas da flor “tipo” da espécie predomina a cor amarela, densamente pintalgada e com listras longitudinais de uma cor marrom avermelhada. Um espetáculo.

Existem muitas variações desta planta. As mais comuns são:

 

Vanda lamellata var. boxallii: com sépala dorsal e pétalas brancas, sépalas laterais pintadas de branco e marrom, e labelo com predominância de rosa sobre um fundo branco.

 

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Vanda lamellata var. boxallii

Foto retirada da internet – Site:
www.houzz.com/discussions/2071447/vanda-lamellata-var-boxallii

 

 

Vanda lamellata var. flava: com sépalas e pétalas de cor amarelo esverdeado, e labelo da mesma cor mas com listras longitudinais de cor avermelhada.

 

Imagem relacionada

Vanda lamellata var. flava

Foto retirada da internet – Site:
br.pinterest.com/pin/550002173215156340/

 

 

 

Vanda lamellata var. remediosa: com sépala dorsal e pétalas de apresentando uma tonalidade pálida de amarelo, sépalas laterais da mesma cor contrastando com marrom, e labelo de cor rosa com listras longitudinais também na cor marrom.

 

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Vanda lamellata var. remediosa

Foto retirada da internet – Site:
www.the-orchid-place.com/vanda-lamellata-v-remediosae/vanda-lamellata-var-remediosae-2/

 

 

Enfim, muitas variedades, todas elegantes, charmosas e sedutoras. Um show de planta.

Regras básicas para o cultivo:

  • Pode ser cultivada em vasos de plástico ou em cascas e troncos de árvore. Eu costumo cultiva-las de forma suspensa, amarradas em pequenas caixetas com pouquíssimo, ou nenhum substrato, e com suas longas e grossas raízes soltas e expostas, aumentando o poder de fotossíntese da planta.
  • Precisa de muita umidade, rápida drenagem e boa ventilação.
  • Para saber o nível de hidratação da planta, basta verificar o aspecto e a coloração das raízes. Quanto mais esbranquiçadas, maior a desidratação, sendo necessária sua rega. Aliás, isto vale para todas as vandáceas. Raízes bem hidratadas apresentam coloração parecida com o das folhas.
  • Diminua o volume das regas durante o inverno.
  • Gosta de 50% de sombreamento e suporta temperaturas entre 10 e 40 graus. Proteja a planta nos dias mais rigorosos do inverno.
  • Adube periodicamente.

 

Floresce normalmente na primavera e suas flores duram em torno de 45 dias.

A seguir relaciono algumas fotos ilustrativas:

 

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Foto retirada da internet - Site:
http://www.orchidspecies.com/vandalamelatavarboxali.htm

 

 

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Foto retirada da internet - Site:
http://aeridinae.e-monocot.org/file-colorboxed/2190

 

 

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Foto retirada da internet - Site:
http://powo.science.kew.org/taxon/urn:lsid:ipni.org:names:661026-1

 

 

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Foto retirada da internet - Site:
br.pinterest.com/pin/372813675393965377/

 

 

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Foto retirada da internet - Site:
http://www.aaoe.fr/post/2011/03/18/Les-Vanda

 

 

 

 

 

 

 

IMAGENS: fonte pesquisa GOOGLE

Este blog é dedicado a pessoas que, como eu, amam e cultivam orquídeas. Meu objetivo com este trabalho é conhecer pessoas, divulgar e trocar informações sobre estas plantas.

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IMAGES: GOOGLE search

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