Gomesa recurva

Gênero de plantas genuinamente brasileiras, com flores da cor de nossa bandeira, facilmente encontradas em nossas matas e florestas. Muito bom. Logo, é de se esperar que o nome Gomesa seja uma referência a algum célebre Gomes brasileiro, certo? Não, errado! O nome deste gênero é uma homenagem ao médico e botânico português Bernardino António Gomes (1768 – 1823). (Obs. A grafia do nome António está correta, com acento agudo).

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Gomes foi um renomado médico e é considerado o Patrono da Dermatologia em Portugal.

Durante quatro anos Gomes morou no Rio de Janeiro na busca de plantas medicinais, tendo descoberto várias espécies que são amplamente utilizadass até hoje. Embora não fosse orquidófilo, em suas andanças por nosso território ele enconrtrou uma planta até então desconhecida, que posteriormente foi batizada como Gomesa, em sua homenagem.

Deve-se ainda ao doutor Bernardino António Gomes a criação do horto botânico da Escola Médica de Lisboa. Em seu louvor, foi erguido um busto sob pedestal no Jardim Botânico de Lisboa em 1926.

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Bernardino António Gomes

Este gênero é composto por aproximadamente 20 espécies, todas de crescimento simpodial e hábito epífita, originárias principalmente da Mata Atlântica, desde o sul da Bahia até o norte do Rio Grande do Sul. Algumas espécies podem também ser encontradas no Paraguai e Argentina.

A identificação das diversas espécies é muito difícil. Todas as plantas deste gênero são muito parecidaas entre si, sendo apenas diferenciadas pela estrutura floral, e mesmo assim com grande dificuldade.

Aliás, é frequente ver plantas deste gênero com identificação incorreta. Três plantas muito comuns nas regiões sul e sudeste do Brasil, são sempre confundidas: a Gomesa crispa, a Gomesa recurva e a Gomesa paranaensis. Vou tentar ajudar na diferenciação destas orquídeas:

O primeiro passo é distinguir a época de floração. Se for entre o outono e o inverno, provavelmente trata-se de uma Gomesa crispa. Se a floração ocorrer em pleno verão, então pode ser uma Gomesa recurva ou uma Gomesa paranaensis.

A esta altura já isolamos a espécie crispa. Só falta diferenciar as que florescem no verão. Vamos ao segundo passo que é verificar o formato das sépalas laterais das flores. Se forem parcialmente fundidas (sinsépalas), então é uma Gomesa recurva. Caso contrário, deve se tratar de uma Gomesa paranaensis.

Traduzindo isto para uma linguagem mais simples: as flores de Gomesa se parecem com bonequinhos, correto. As referidas sépalas são as “perninhas” destes bonecos. Se estas “pernas” estiverem coladas da “coxa” até o “joelho”, então trata-se de uma Gomesa recurva. Se as “perninhas” estiverem totalmente abertas, então é uma Gomesa Pranaensis.

Obs.: Gomesa crispa e Gomesa paranaensis são as únicas espécies do gênero que possuem as sépalas laterais livres (“perninhas” abertas), ou seja, não são sinsépalas. No entanto anomalias podem ocorrer. Algumas flores isoladas podem ter aparência diferente. Temos que nos basear pelo formato da maioria das flores.

Para ilustrar o tema, vou utilizar duas lindas fotos de Sergio Oyama Junior, fotógrafo espetacular e brilhante orquidófilo. Deixo ainda como sugestão uma visita ao fantástico blog dele: Orquídeas no Apê.

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Gomesa recurva  (“pernas fechadas”)

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Gomesa crispa (“pernas abertas”)

Bom, depois de tanta confusão, vamos ao estudo da planta do dia, a Gomesa recurva, que vegeta em matas úmidas da Serra do Mar do sudeste e sul do Brasil, e no nordeste da argentina. É muito comum e abundante nos bosques de Curitiba.

O nome da espécie, recurva, é uma clara referência às pétalas e sépalas retorcidas das flores desta orquídea.

Sinonímia: Epidendrum inflexum; Gomesa barkeri; Gomesa chrysostoma; Gomesa densiflora; Gomesa divaricata; Gomesa fischeri; Gomesa foliosa; Gomesa foliosa var. brevifolia; Gomesa laxiflora; Gomesa planifolia; Gomesa planifolia var. crocea; Gomesa planifolia var. densa; Gomesa planifolia var. laxa; Gomesa reclinata; Gomesa sessilis; Maturna suaveolens; Odontoglossum barkeri; Odontoglossum foliosum; Odontoglossum laxiflorum; Odontoglossum planifolium; Odontoglossum recurvum; Pleurothallis foliosa; Rodriguezia barkeri; Rodriguezia laxiflora; Rodriguezia macrostachya; Rodriguezia planifolia; Rodriguezia recurva e Rodriguezia suaveolens.

É uma planta de médio porte, com rizoma curto e pseudobulbos achatados de aproximadamente 6cm de comprimento, bifoliados e cobertos por bainhas na base. Possui folhas lanceoladas que podem chegar a 20cm de comprimento.

A inflorescência desta planta pode chegar a 35cm de comprimento, brota da base dos pseudobulbos, é racemosa e pendente, suportando dezenas de pequenas e simpáticas flores de aproximadamente 2cm de diâmetro.

As flores são levemente perfumadas com uma delicada fragrância cítrica. Sépalas e pétalas de cor verde-amarelado, e labelo da mesma cor mas com a coluna branca. Lindas.

Seguem algumas dicas para cultivo:

  • Sugiro cultivar a Gomesa recurva fixada em troncos ou cascas de árvores, com muitas raízes expostas. Esta planta precisa de grande aeração nas raízes.
  • Se sua opção for cultivo em vaso ou caixeta, então utilize um substrato confeccionado com partes iguais de casca de pinus, carvão vegetal e esfagno.
  • Cuidado com água acumulada no fundo. O substrato deve ser arejado e drenar a água imediatamente.
  • Sugiro cultivo com 50% de sombreamento, e temperaturas entre 5 e 35 graus.

Floresce no verão (janeiro/fevereiro) e cada floração dura em média 20 dias.

Planta barata e de fácil cultivo. Recomendo.

Seguem algumas fotos:

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IMAGENS: fonte pesquisa GOOGLE

Se você encontrar alguma foto de sua autoria neste blog, e desejar a remoção, por favor envie um e-mail para  que a mesma seja retirada imediatamente. Obrigado.

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4 pensamentos sobre “Gomesa recurva

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