Mormolyca ringens

 

Hoje vou falar de uma planta pouco conhecida no Brasil. Uma planta que apresenta inflorescências solitárias, nas quais uma pequena flor se exibe de forma tímida e discreta entre as folhas. Uma planta pouco comercializada e difícil de encontrar no mercado nacional. Uma planta desprezada por muitos, mas que desfila com extremo glamour entre as queridinhas de minha coleção, esbanjando uma beleza ímpar que muito me seduz. Estou falando da Mormolyca ringens

 

… uma joia da América Central e do sul do México

 

 

Mormolyca (abreviatura: Mlca.), é um gênero pertencente a família Orchidaceae, descrito em 1850 pelo renomado botânico austríaco Eduard Fenzl (1808 – 1879), quando descreveu a Mormolyca lineolata, atualmente considerada sinônimo da Mormolyca ringens, que é a espécie “tipo” do gênero e a planta do dia.

 

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Eduard Fenzl

Foto retirada da internet – Site:
commons.wikimedia.org/wiki/File:Acta_Horti_berg._-_1905_-_tafl._124._-_Eduard_Fenzl.jpg

 

 

Iniciando sua carreira como professor de botânica, Fenzl chegou ao cargo de vice-presidente da Sociedade de Horticultura de Viena, foi membro da Academia de Ciências dessa cidade, e membro da Academia Leopoldina de Ciências Naturais, fundada em 1652 e que, segundo historiadores, é a sociedade científica mais antiga do mundo.

 

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Deutsche Akademie der Naturforscher Leopoldina

Foto retirada da internet – Site:
http://gunterbinsack.de/leopoldina-deutsche-akademie-der-naturforscher/

 

 

Fenzl descreveu uma grande quantidade de espécies botânicas. O gênero Fenzlia, pertencente à família Myrtaceae, foi nomeado em sua homenagem por seu amigo e também botânico austríaco Stephen Ladislaus Endlicher (1804 – 1849).

Entre os inúmeros e valiosos trabalhos científicos elaborados por Fenzl, destaque para a obra “Genera plantarum”, escrito junto com Endlicher, e “Flora brasiliensis”, na qual teve importante participação.

 

Apenas como curiosidade, a citada “Flora brasiliensis” foi uma marco dentro da literatura botânica mundial, e foi patrocinada pelos imperadores do Brasil e da Áustria e pelo rei da Baviera.

Este trabalho foi iniciado em 1840 pelo médico, botânico e antropólogo alemão Carl Friedrich Philipp von Martius (1794 – 1868), que se notabilizou pesquisando e explorando a flora brasileira, com ênfase na região amazônica.

Escrita em 40 volumes que totalizam 20.733 páginas, esta fantástica obra foi publicada em 130 fascículos e, nos 66 anos de elaboração, teve a participação de 65 botânicos de vários países. No total este trabalho cataloga 22.767 espécies distribuídas entre 2.253 gêneros, das quais 5.689 eram desconhecidas na época.

Aliás, fica aqui uma importante dica para quem compartilha comigo do prazer da pesquisa na área botânica. Desde 2006 esta maravilhosa obra pode ser acessada de forma on-line através do link abaixo:

http://florabrasiliensis.cria.org.br/

 

Mormolyca ringens flora brasiliensis

Flora brasiliensis

Foto retirada da internet – Site:
http://www.fapesp.br/publicacoes/flora/

 

 

Este gênero é oriundo do desmembramento de oito espécies originalmente vinculadas ao gênero Maxillaria, e que possuem como principal característica distintiva o fato de apresentarem longas inflorescências com uma única e solitária flor em sua extremidade.

Em 2008, após longos anos de pesquisas e discussões, várias outras orquídeas foram incluídas em Mormolyca, que atualmente possui 24 espécies, das quais apenas três são encontradas em território brasileiro.

 

Estas plantas são originárias da extensa área que se estende desde a região sul do México até a região sudeste do Brasil, sendo Peru o seu principal centro de dispersão. Normalmente podem ser encontradas em florestas tropicais, vegetando de forma epífita em altitudes inferiores a 2000 metros.

 

Mormolyca ringens - ocorrencia genero JPG

Mormolyca  –  Ocorrência

Imagem retirada da internet – Site:
http://www.imagui.com/a/imagenes-de-el-mapa-de-las-3-americas-cyEao8Exo

 

 

Mormolyca, o nome deste gênero, tem origem no grego. O Mormo original era uma figura da mitologia grega, representada por uma mulher de Corinto, cidade do Peloponeso, península localizada no sul da Grécia, que comia seus filhos e aterrorizava crianças. Em outras partes da Grécia, Mormo representa a rainha dos lestrígones (ou lestrigões), uma raça de gigantes antropófagos que segundo Homero habitava na Sardenha.

 

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Lestrígones

Imagem retirada da internet – Site:
http://monstros-mitologicos-w.blogspot.com/2015/07/lestrigoes_24.html

 

 

Com uma conotação um pouco menos dramática, mormolyce, também do grego, pode ser traduzido como “espectro feminino”, “fantasma”, em referência ao formato das flores deste gênero que teoricamente apresentam uma silhueta fantasmagórica.

 

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Gif retirado da internet – Site:
https://tenor.com/search/fantasma-gifs

 

 

E para aqueles que pretendem se aventurar na arte de hibridação, Mormolyca pertence à Subtribo Maxillariinae, que também inclui os gêneros Anguloa, Anthosiphon, Bifrenaria, Chrysocycnis, Cryptocentrum, Cyrtidiorchis, Horvatia, Ida, Lycaste, Maxillaria, Neomoorea, Pityphyllum, Rudolfiella, Scuticaria, Teuscheria, Trigonidium e Xylobium.

 

E agora a orquídea do dia, a fabulosa Mormolyca ringens, descrita originalmente em 1840 como Trigonidium ringens pelo botânico inglês John Lindley (1799 – 1865), e transferida para o gênero Mormolyca em 1907 por Ambroise Gentil (1842 – 1929).

 

Gentil foi um renomado botânico francês, que se consagrou com o livro Dictionnaire étymologique de la flore francaise, publicado em 1923.

 

mormolyca ringens - dictionnairety1923gent_0001

Capa do livro  Dictionnaire étymologique de la flore francaise

Imagem retirada da internet – Site:
https://archive.org/details/dictionnairety1923gent

 

 

Sinonímia: Mormolyca lineolata; Mormolyca schweinfurthiana e Trigonidium ringens.

 

O nome desta espécie, ringens, deriva do latim, e significa “rígido”, em referência as fortes e eretas inflorescências desta planta.

 

Esta linda orquídea é originária da América Central e da região sul do México, onde vegeta de forma epífita em florestas sombrias e úmidas localizadas em altitudes inferiores a 1400 metros.

 

Mormolyca ringens - ocorrencia especie JPG

Mormolyca  ringens  –  Ocorrência

Imagem retirada da internet – Site:
http://www.guiageo-americas.com/mapas/globo-americas.htm

 

 

No mapa abaixo destaco alguns dos principais pontos de ocorrência da Mormolyca ringens:

 

Mormolyca ringens - ocorrencia especie DISPERSAO JPG

Mormolyca  ringens  –  Centros de dispersão

Imagem retirada da internet – Site:
http://support.maozisrael.org/site/PageServer?pagename=maoz_korean_0218

 

1 – México: nos estados localizados na região sul do país, mais especificamente em Chiapas, Oaxaca e Veracruz.

2 – Belize: nos distritos localizados na região sul do país, mais especificamente em Cayo, Stann Creek, e Toledo

3 – Guatemala: nos departamentos fronteiriços com Belize e Honduras, próximo ao litoral do Oceano Atlântico, em Alta Verapaz, Izabal, Jalapa, Chiquimula e Zacapa, e na costa oeste do país, próximo ao litoral do Oceano Pacífico, no departamento de Escuintla.

4 – El Salvador: em florestas localizadas em altitudes próximas a 1200 metros, de regiões próximas ao litoral do Oceano Pacífico.

5 – Honduras: em florestas localizadas em altitudes próximas a 900 metros, de regiões próximas ao litoral do Oceano Atlântico.

6 – Nicarágua: em florestas localizadas em altitudes próximas a 900 metros, de regiões próximas ao litoral do Oceano Atlântico.

 

As abelhas são os principais agentes polinizadores da Mormolyca ringens, com destaque para a Nannotrigona testaceicornis, mais conhecida como Iraí.

Esta diminuta abelha não chega a meio centímetro de comprimento. Por sua baixa produtividade este inseto não é muito utilizado na produção de mel, apesar deste ser de boa qualidade. Porém, pelas gigantescas colônias que estas abelhas formam, normalmente com algo entre 2 e 3 mil indivíduos, e por não possuir ferrão, elas são muito empregadas na polinização de lavouras.

 

Abelhas sem ferrão - Iraí (Nannotrigona testaceicornes)

Nannotrigona testaceicornis

Foto  retirada da internet – Site:
www.cpt.com.br/cursos-criacaodeabelhas/artigos/abelhas-sem-ferrao-irai-nannotrigona-testaceicornes

 

 

Trata-se de uma planta de pequeno porte e crescimento simpodial, que forma lindas touceiras. Possui rizoma longo e ramificado com raízes velamentosas. Os pseudobulbos são bem definidos, monofoliados, de formato elíptico e fortemente achatados lateralmente, lisos quando novos, tornando-se enrugados com o passar do tempo. Em termos dimensionais, possuem em média 3,4cm de altura por 2,5cm de largura.

 

Mormolyca ringens - bulbos JPG

Mormolyca ringens  –  Detalhes da planta

Propriedade e créditos fotográficos:  Juan Pablo Heller

 

As folhas são finas e de formato lanceolado, com medidas que podem chegar a 28cm de comprimento por 3,2cm de largura.

As inflorescências são fantásticas. Finas e longas hastes florais que nascem da base dos pseudobulbos, e que em média possuem 20cm de comprimento, suportando uma única e solitária flor de aproximadamente 2,4cm de diâmetro.

Cada uma destas simpáticas flores é formada por um conjunto de três sépalas (uma dorsal e duas laterais), que são um pouco mais largas do que as pétalas. Estas flores apresentam segmentos livres e espalmados, e as sépalas laterais estão dispostas de forma paralela e apontadas para baixo.

Nas citadas estruturas florais predomina um lindo amarelo ouro, caprichosamente desenhado com traços paralelos e longitudinais numa cor que varia entre o vermelho e o púrpura. Um espetáculo. Completando o conjunto, um pequeno labelo trilobado que mescla as mesmas cores.

Na figura abaixo tento mostrar a distribuição destas estruturas florais:

 

Mormolyca ringens - flor JPG

Mormolyca ringens  –  Detalhes da flor

Propriedade e créditos fotográficos:  Juan Pablo Heller

 

 

É uma planta de fácil cultivo. Abaixo relaciono algumas orientações para quem tiver ou quiser adquirir esta planta:

  • A melhor forma de cultivo é fixada em árvores, ou então em cascas, troncos ou galhos, e com muitas raízes expostas.
  • Porém, se sua opção for por cultivo em vaso ou caixeta, então recomendo o uso de  um substrato bem aerado, confeccionado com partes iguais de casca de pinus e carvão vegetal, acrescendo ainda um pouco de esfagno.
  • Vale destacar que as espécies deste gênero precisam de muita umidade. Por este fato é que sugeri no item anterior a inclusão de esfagno no substrato.
  • Procure cultivar esta orquídea em local com boa ventilação e com sombreamento de aproximadamente 50%.
  • Sugiro cultivo com temperaturas entre 15 e 35 graus. Proteja esta planta nos dias mais rigorosos do inverno.
  • Diminua as regas quando começarem a aparecer as inflorescências para evitar o apodrecimento dos botões florais.
  • Pode ser dividida como quase todas as orquídeas de crescimento simpodial, cortando o rizoma e deixando pelo menos 3 ou 4 bulbos em cada parte da divisão.
  • Adube quinzenalmente.

 

Aqui no sul do Brasil floresce normalmente no final do inverno, e cada floração dura em média duas semanas.

A seguir relaciono algumas fotos ilustrativas:

 

 

Para iniciar um par de fotos de meus amigos Felipe Zárate Méndez , da capital do México, e Alexandre Dutra de Santana, da capital do Brasil, orquidólogos que muito admiro e que muito contribuem para o desenvolvimento e divulgação desta ciência, compartilhando conhecimento sobre o maravilhoso mundo das orquídeas.

 

Mormolyca ringens - Felipe Zárate Méndez - Mexico - set2018

Mormolyca ringens

Propriedade e Créditos fotográficos:  Felipe Zárate Méndez  (Ciudad de Mexico)

 

 

 

Mormolyca ringens - Alexandre Dutra de Santana BSB - Roberto micro-orquideas set2018 1

Mormolyca ringens

Propriedade e Créditos fotográficos:  Alexandre Dutra de Santana  (Brasília – DF)

 

 

 

Agora mais algumas imagens, estas de planta da minha coleção:

 

 

 

Mormolyca ringens - setembro2018 2

Mormolyca ringens

Propriedade e Créditos fotográficos:  Juan Pablo Heller

 

 

Mormolyca ringens - setembro2018 7

Mormolyca ringens

Propriedade e Créditos fotográficos:  Juan Pablo Heller

 

 

 

E por último, para finalizar esta aula, mais algumas fotos retiradas da internet:

 

 

 

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Foto retirada da internet – Site:
commons.wikimedia.org/wiki/File:Mormolyca_ringens_(6973076169).jpg

 

 

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Foto retirada da internet – Site:
www.houzz.com/discussions/1523772/have-mormolyca-ringens

 

 

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Foto retirada da internet – Site:
https://cooperorchids.com/produto/mormolyca-ringens/

 

 

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Foto retirada da internet – Site:
commons.wikimedia.org/wiki/File:Orchid_(Mormolyca_ringens)_(8307373455).jpg

 

 

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Foto retirada da internet – Site:
http://www.molvray.com/gallery2/picture.php?/4280/categories

 

 

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Foto retirada da internet – Site:
www.flickr.com/photos/erickataoka/21518103766/

 

 

 

IMAGENS: fonte pesquisa GOOGLE

Este blog é dedicado a pessoas que, como eu, amam e cultivam orquídeas. Meu objetivo com este trabalho é conhecer pessoas, divulgar e trocar informações sobre estas plantas.

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Se você encontrar alguma foto de sua autoria neste blog, e desejar a remoção, por favor envie um e-mail para  que a mesma seja retirada imediatamente. Obrigado.

 

IMAGES: GOOGLE search

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2 pensamentos sobre “Mormolyca ringens

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