Cattleya dolosa

 

O fator motivacional para a aula de hoje foi uma planta florida que vi na semana passada no Orquidário Durigan, aqui em Curitiba. E não é uma planta qualquer, trata-se de uma planta que já ganhou vários prêmios em exposições. Uma planta com flores grandes e vistosas, uma planta espetacular, um híbrido natural, a Cattleya dolosa

 

… a Princesa das Orquídeas

 

E antes que alguém questione, o título “Princesa das Orquídeas” é uma invenção minha, e é uma referência à nobreza desta flor e ao fato de se tratar de uma filha da Cattleya walkeriana, mundialmente aclamada como a “Rainha das Orquídeas”.

 

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Gif retirado da internet - Site:
http://akigifs.blogspot.com.br/2017/01/gifs-animados-coroa.html

 

Mas antes de falar desta sublime planta, já que vou falar de uma orquídea híbrida, aproveito para dar algumas dicas para as pessoas que me perguntaram sobre procedimentos para registro de híbridos. Vamos lá:

Quem faz tais registros?

Desde janeiro de 1961, a entidade inglesa Royal Horticultural Society (RHS), assumiu a função de “cartório” oficial para o registro de híbridos de orquídeas. Esta é a única entidade no mundo que pode fazer tais registros.

 

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RHS Garden at Wisley 

Foto retirada da internet - Site:
https://www.guildford.com/local-attractions/

 

Só é possível o registro de um novo híbrido se sua árvore genealógica for inédita, ou seja:

  • O cruzamento do novo híbrido deve ser inédito;
  • As plantas envolvidas no cruzamento devem ser registradas (no caso de já serem híbridas).

Como é feita a solicitação de registro de híbrido de orquídea?

A solicitação de registro é feita mediante o pagamento de taxa e preenchimento de formulário fornecido pela RHS, onde devem ser informados:

  1. Nomes dos pais do novo híbrido;
  2. Nome proposto para o novo híbrido;
  3. Data do cruzamento;
  4. Data da primeira floração;
  5. Descrição detalhada da flor;
  6. Foto da flor obtida;
  7. Informações sobre o hibridador;
  8. Dados do registrante (que assina o pedido).

Devidamente preenchido, o original deste formulário deve ser enviado por correio para a RHS que, em um prazo aproximado de seis meses e se tudo estive correto, aprova e publica seu registro.

Para informações mais detalhadas sugiro acessar o site  https://www.rhs.org.uk/

E agora foco na planta do dia, a Cattleya dolosa que, como visto no domingo passado, quando falei do Dendrobium usitae, a rigor deveria ser grafada como Cattleya x dolosa.

Este é um maravilhoso híbrido primário oriundo do cruzamento de uma Cattleya walkeriana com uma Cattleya loddigesii, duas das mais belas e perfeitas espécies de Cattleya. O resultado não podia ser diferente, uma planta de exuberante beleza.

O nome dolosa deriva do latim: dolos, que significa “engano”, “artimanha”. Infelizmente não consegui descobrir o motivo. Será que se trata de uma referência a uma possível imitação de Cattleya walkeriana? Não sei. Agradeço se alguém souber e puder me informar.

Esta planta foi descrita em 1876 pelo botânico alemão Heinrich Gustav Reichenbach (1823 – 1889), um dos mais renomados orquidófilos de todos os tempos.

Reichenbach identificou, descreveu e classificou mais de mil espécies de orquídeas e, durante sua brilhante carreira, chegou a ser diretor do Jardim Botânico da Universidade de Hamburgo, na Alemanha.

Muitos confundem seu trabalho com o de seu pai, que também foi um renomado botânico. Para facilitar a correta interpretação, em taxonomia geralmente aparece referenciado como Rchb. f., onde f = filius (filho), enquanto que os trabalhos de seu pai aparecem abreviados como Rchb.

Sinonímia: Cattleya x eximia; Cattleya x obrieniana; Cattleya x schroederiana; Cattleya walkeriana var. dolosa; Cattleya walkeriana var. schroederiana e Epidendrum x dolosum.

A Cattleya dolosa é originária da divisa dos estados de Minas Gerais com São Paulo, onde a Cattleya walkeriana (MG, SP, GO, MT e MS) divide o habitat com a Cattleya loddigesii (MG, SP, RJ e ES), propiciando a geração deste híbrido natural.

Nessa região, que é uma zona de transição entre os biomas Mata Atlântica e Cerrado, esta orquídea vegeta de forma predominantemente rupícula, fixada em formações rochosas cobertas de musgo. Com menos frequência esta planta também pode ser vista fixada em troncos de árvores, vegetando de forma epífita.

 

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Biomas brasileiros – Mapa

Imagem retirada da internet - Site:
https://dicasdeciencias.com/2015/03/01/biomas-brasileiros-4o-ano/

 

 

Em termos morfológicos, a Cattleya dolosa é bem parecida com Cattleya walkeriana. A principal diferença está no fato da Cattleya dolosa ser bifoliada.

Trata-se de uma planta magnífica constituída de um robusto rizoma rastejante e com grossas raízes cobertas de tecido velame. Possui pseudobulbos fusiformes, com tamanho que pode passar de 10cm de comprimento por 3cm de diâmetro. Estes bulbos são lisos, quando novos, tornando-se sulcados (enrugados) com o passar do tempo. Normalmente são bifoliados, existindo raros casos de três folhas no mesmo bulbo.

As folhas tem formato elíptico ou arredondado, são grossas, vigorosas e coriáceas, podendo chegar a 12cm de comprimento.

A inflorescência é estupenda. Curtas hastes florais de aproximadamente 8cm de comprimento brotam do ápice dos pseudobulbos, suportando normalmente entre 2 e 4 flores de textura cerosa e de diâmetro variando entre 10 e 13cm. As pétalas são mais largas do que as sépalas e o labelo é trilobado com grande exposição da coluna.

Esta com certeza é uma das plantas mais perfeitas que existem, graças ao equilíbrio e simetria de suas formas.

Mais uma característica marcante da Cattleya dolosa , herdada de seus pais, é o perfume. Uma encantadora e extasiante fragrância que lembra o aroma da Gardênia, planta da família Rubiaceae. Um show.

 

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Gardênia (Gardenia jasminoides)

Foto retirada da internet - Site:
http://flores.culturamix.com/flores/naturais/os-beneficios-da-flor-gardenia

 

 

Em termos de cores esta orquídea possui inúmeras variações. Na planta “tipo” predominam matizes de rosa. Existem ainda as variáveis alba, semi-alba, albescens e outras. Uma infinidade de combinações todas gloriosas e apaixonantes.

Pelas tantas qualidades já descritas desta planta, a Cattleya dolosa pode alcançar altos valores comerciais. Um bom exemplar desta orquídea pode chegar facilmente a custar mais de mil reais.

Em termos de cultivo devemos seguir as mesmas orientações fornecidas para a Cattleya walkeriana:

  • A melhor forma de cultivo é fixada em árvores, ou então em cascas, troncos ou galhos, e com muitas raízes expostas. Cascas de Peroba, Aroeira e Ipê são ótimas para esta finalidade.
  • Se sua opção for cultivar esta planta em vaso ou caixeta, então utilize um substrato confeccionado com partes iguais de casca de pinus, carvão vegetal e pedra brita.
  • A Cattleya dolosa não suporta raízes encharcadas. Portanto, se você optou por cultivo em vasos, utilize recipientes baixos, com pouco substrato e rápida drenagem.
  • Muitas pessoas cultivam esta planta em vasos rasos de barro. Muito bom porque este material retém umidade e não deixa o substrato encharcado. Porém, eu não recomendo o uso destes vasos, porque os mesmos filtram a água e retém os sais que, com o tempo, prejudicam a planta e dificultam novas floradas.
  • O volume de água deve ser reduzido durante o inverno, mas sem deixar a planta seca por longos períodos. Uma leve borrifada durante essa estação é suficiente.
  • Sugiro cultivo com sombreamento em torno de 50%.
  • É uma planta nativa de regiões com grandes variações térmicas entre o período do dia e da noite. Por este fato se desenvolve muito bem nas regiões sul e sudeste do Brasil.
  • Suporta temperaturas entre 10 e 35 graus. É importante protegê-la do frio nos dias mais rigorosos do inverno.
  • A Cattleya dolosa é extremamente sensível às divisões. Se você particionar a touceira, gerando várias mudas, recomendo evitar a floração no ano seguinte à divisão, aumentando o período de fortificação da planta.

Floresce normalmente no final do inverno e sua floração dura em média 30 dias.

Abaixo relaciono algumas fotos ilustrativas:

 

 

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Cattleya dolosa  –  Planta pertencente à Josélio Durigan

Orquidário Durigan (Curitiba)

Crédito fotográfico:  Juan Pablo Heller

 

 

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Cattleya dolosa var. albecens  –  Planta pertencente ao Sr. Afonso Klueger

Orquídea em exposição no 110o Festival de Orquídeas de Curitiba, realizado em setembro de 2017 em Santa Felicidade

Crédito fotográfico:  Juan Pablo Heller

 

 

E a seguir relaciono algumas fotos retiradas da internet:

 

 

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Foto retirada da internet – Site:
produto.mercadolivre.com.br/MLB-804165498-cattleya-dolosa-corte-adulto-_JM

 

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Foto retirada da internet – Site:
http://www.panoramio.com/photo/2855709

 

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Foto retirada da internet – Site:
http://www.rv-orchidworks.com/orchidtalk/cattleyas-vandas-dendrobiums-bloom/45846-cattleya-dolosa-alba-am-rhs.html

 

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Foto retirada da internet – Site:

http://orquidariodoeuler.blogspot.com.br/2012/09/cattleya-x-dolosa-semi-alba-kenny.html

Resultado de imagem para cattleya dolosa

Foto retirada da internet – Site:
http://www.orchidspecies.com/cattdolosa.htm

 

 

 

 

IMAGENS: fonte pesquisa GOOGLE

Este blog é dedicado a pessoas que, como eu, amam e cultivam orquídeas. Meu objetivo com este trabalho é conhecer pessoas, divulgar e trocar informações sobre estas plantas.

É uma atividade amadora e sem fins lucrativos.

Se você encontrar alguma foto de sua autoria neste blog, e desejar a remoção, por favor envie um e-mail para  que a mesma seja retirada imediatamente. Obrigado.

 

IMAGES: GOOGLE search

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4 pensamentos sobre “Cattleya dolosa

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