Stanhopea tigrina

 

A mexicana gloriosa

 

Hoje vou falar de uma orquídea muito interessante, que possui flores de formato exótico e muito perfumadas. Uma Stanhopea.

Stanhopea é um gênero botânico pertencente à família Orchidaceae, proposto em 1829 por William Jackson Hooker (1785 – 1865).

Hooker foi um renomado naturalista, botânico e sistemata inglês, e um dos mais conhecidos diretores do Royal Gardens de Kew, instituição que dirigiu de 1841 até o seu falecimento, em 1865. A ele se deve a construção da famosa Palm House, uma estupenda estufa para plantas, com conceitos arquitetônicos revolucionários e marcantes para a época.

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Palm House – Royal Gardens de Kew

Foto retirada da internet - Site:
https://en.wikipedia.org/wiki/Palm_house

 

Antes de trabalhar no Royal Gardens de Kew, Hooker foi professor de botânica da Universidade de Glasgow, na Escócia, e publicou mais de vinte obras de  grande valor científico.

O nome deste gênero é uma homenagem de Hooker a Philip Henry Stanhope (1781-1855), 4º Conde de Stanhope, aristocrata inglês e presidente da Medico-Botanical Society of London no período de 1829 a 1837.

Stanhopea agrupa cerca de 50 espécies. Como regra geral, estas plantas são epífitas, raramente sendo encontradas sobre rochas, mas sempre com tendências humícolas. Isto porque elas crescem nas matas úmidas e escuras, ou sobre pedras abrigadas, onde existe muito depósito de detritos.

As plantas deste gênero são originárias da extensa faixa que se estende desde o sul do México até o sul do Brasil, sendo México, Colômbia, Equador e os países da América Central, os principais centros de dispersão. No Brasil existem aproximadamente oito espécies.

Pelo formato das flores, as plantas deste gênero são conhecidas popularmente como “orquídea-cabeça-de-boi”. Não me perguntem por quê? Se existe alguma semelhança física, juro que ainda não identifiquei.

São plantas robustas, com folhas de grandes dimensões e flores de coloridos chamativos, de tamanho avantajado e deliciosamente perfumadas, mas pouco cultivadas porque sua floração dura apenas 3 ou 4 dias.

A principal particularidade deste gênero, e que a inflorescência brota da base do pseudobulbo, e cresce para baixo. Por este motivo, é mandatório que o cultivo destas plantas seja feito de forma suspensa, em caixetas de madeira feitas com ripado bem afastado, ou em cachepos aramados. Se utilizarmos vasos com base fechada, ou com furos pequenos, a planta nunca florescerá.

E agora a planta do dia, a estupenda Stanhopea tigrina, uma joia originária de regiões montanhosas do sul do México, onde floresce majestosamente em florestas sombrias e úmidas localizadas entre 800 e 1700 metros de altitude.

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Gif retirado da internet - Site:
http://www.picgifs.com/graphics/mexico/

 

Esta planta foi descrita em 1838 por James Bateman (1811 – 1897).

Bateman foi um latifundiário, horticultor e botânico inglês. Ficou famoso com a criação do Parque Botânico Biddulph Grange, com seu fantástico jardim paisagístico do National Trust, em Staffordshire, na Inglaterra. Estes jardins eram divididos  por setores e por temas. A novela de Priscilla Masters, “Mr Bateman’s Garden“, lançado em 1987, é uma ficção que foi desenrolada nestes jardins.

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Mr Bateman’s Garden

Desenho retirado da internet - Site:
www.fantasticfiction.com/m/priscilla-masters/mr-batemans-garden.htm

 

Bateman foi ainda membro da Royal Society e presidente da North Staffordshire Field Society. Coletou e pesquisou orquídeas de vários continentes, e publicou diversos trabalhos científicos, entre os quais se destacam:

  • Orchidaceae of Mexico and Guatemala.
  • A Monograph of Odontoglossum.
  • A Second Century of Orchidaceus

O nome desta espécie deriva do latim: tigrina, que significa “com listas como um tigre”, em uma óbvia referência ao colorido de suas flores.

Sinonímia: Epidendrum fragrantissimum; Maxillaria lyncea; Stanhopea expansa; Stanhopea nigroviolacea; Stanhopea tigrina var. atrata; Stanhopea tigrina var. aurea; Stanhopea tigrina var. aureo-purpurea; Stanhopea tigrina var. grandiflora; Stanhopea tigrina var. grandiflora superba ; Stanhopea tigrina var. latimaculata; Stanhopea tigrina var. luteolo-violacea; Stanhopea tigrina var. lutescens; Stanhopea tigrina var.major; Stanhopea tigrina var. major superba; Stanhopea tigrina var. nigropurpurea; Stanhopea tigrina var. purpurea; Stanhopea tigrina var. speciosa; Stanhopea tigrina var. splendens; Stanhopea tigrina var. superba e Stanhopea violacea.

Trata-se de uma planta de porte médio e crescimento simpodial, constituída de um robusto e ramificado rizoma, com grossas raízes cobertas de tecido velame. Possui pseudobulbos agregados, ovoides e monofoliados, com tamanho que pode passar de 10cm de comprimento. Estes bulbos são lisos, quando novos, tornando-se sulcados longitudinalmente com o passar do tempo.

As folhas da Stanhopea tigrina são grandes, finas e frágeis, apresentando nervuras salientes. A inflorescência pendente brota da base dos pseudobulbos. Hastes de aproximadamente 15cm suportando de 2 a 8 flores grandes, de aspecto ceroso e muito perfumadas.

Estas flores podem chegar a ter 18cm de diâmetro. Em termos de forma é muito difícil definir esta flor. Pétalas menores que as sépalas e um grande labelo. Mas, em termos de cor, uma harmoniosa combinação de branco, amarelo e púrpura predominam nesta maravilha mexicana.

Seguem algumas dicas para cultivo:

  • A melhor forma de cultivo é fixada em árvores, ou então em cascas, troncos ou galhos, e com muitas raízes expostas. Cascas de Peroba, Aroeira e Ipê são ótimas para esta finalidade.
  • Lembre de nunca utilizar vasos fechados. Como já citado, a inflorescência brota da base do pseudobulbo, e cresce para baixo ou para os lados. Por este motivo, é mandatório que o cultivo destas plantas seja feito de forma suspensa, em caixetas de madeira feitas com ripado bem afastado, cestinhas de plástico, ou em cachepos aramados.
  • Para estes casos, utilize um substrato confeccionado com partes iguais de casca de pinus, carvão vegetal e pedra brita. Por suas tendências humícolas,  sugiro ainda acrescentar um pouco de madeira podre e folhas ao substrato.
  • Sugiro cultivo com sombreamento em torno de 70% e temperaturas entre 5 e 35 graus.

Floresce normalmente no verão e sua floração dura em média 4 dias.

Abaixo relaciono algumas fotos ilustrativas:

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Foto retirada da internet - Site:
www.orquideashop.com.br/stanhopea/stanhopea-tigrina/

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Foto retirada da internet - Site:
www.youtube.com/watch?v=TUTX6hG6qtQ

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Foto retirada da internet - Site:
http://stanhopeaculture.blogspot.com.br/2015/08/stanhopea-tigrina-var-nigroviolacea.html

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Foto retirada da internet - Site:
http://www.slippertalk.com/forum/showthread.php?t=35184

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Foto retirada da internet - Site:
http://www.lusorquideas.com/-blogue/stanhopea-tigrina-nigroviolacea1

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Foto retirada da internet - Site:
http://bluenanta.com/natural/196166/species_detail/

 

 

IMAGENS: fonte pesquisa GOOGLE

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IMAGES: GOOGLE search

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11 pensamentos sobre “Stanhopea tigrina

  1. Engraçado o lance do julgamento, pois enquanto vc afirma que “as folhas da Stanhopea tigrina são grandes, finas e frágeis”, eu as enxerguei quase como carnívoras, rsrsrsrsrs… As cores e a aparência robusta e forte lhes atribuem uma ideia bastante peculiar.
    Bacana!!!

    Curtido por 1 pessoa

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