Paphiopedilum Leeanum

Motivado por esta foto enviada por minha grande amiga Rosilene, orquidófila dedicada e pintora brilhante, hoje vou falar de uma planta do gênero Paphiopedilum.

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Crédito fotográfico:  Rosilene V. Penka

No final desta postagem anexei algumas fotos de quadros pintados por esta pessoa que tanto admiro. Obrigado Rosilene pelas fotos e pelos quadros. Você é 10… você é show !!!

O sapatinho curitibano

Desde pequeno, quando ainda sequer sabia o que era uma orquídea, e almejava um dia ser xerife ou astronauta, minha mãe já tinha uma planta que ela chamava de sapatinho, e que estava plantada em um grande vaso de xaxim. Todos os anos, sempre no outono, esta planta nos brindava com florações abundantes e duradouras.

Por curiosidade, muitas pessoas que conheço tem esta mesma planta ornamentando seus jardins, árvores ou centro de mesa. Pura coincidência? Claro que não. Esta planta está perfeitamente adaptada ao clima curitibano.

Mas como esta orquídea do gênero Pahiopedilum chegou a Curitiba e como se difundiu é um mistério. Pelo menos para mim. Agradeço se alguém souber e puder me informar.

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Museu Oscar Niemeyer e

Estação tubo (Curitiba)

Foto retirada da internet - Site:
http://www.lopes.com.br/blog/cultura/curitiba-cidade-mais-verde-da-america-latina/

Paphiopedilum é um gênero botânico, descrito em 1886 pelo botânico alemão Ernst Hugo Heinrich Pfitzer (1846 – 1906).

Pfitzer foi um renomado professor da Universidade de Heidelberg, a mais antiga da Alemanha, fundada em 1803, e foi um fiel defensor do trabalho de Carl Nilsson Linnaeus, já estudado neste blog. Embora pouco mencionado em estudos de orquidologia, Pfitzer publicou muitos artigos técnicos e classificou muitas plantas.

Este gênero compreende cerca de cem espécies, distribuídas desde a Índia até a China e às Ilhas Salomão. Todas de crescimento simpodial e habitat predominantemente terrestre, com algumas poucas adaptações epífitas ou rupícolas.

O nome deste gênero deriva da latinização de duas palavras gregas: Paphos, cuja tradução sería “epíteto de Vênus” (títulos sagrados usados no culto da deusa romana Venus); e pédilon, que significa “sandália”, numa referência à forma de seu labelo.

No Brasil as orquídeas deste gênero são conhecidas popularmente como “Sapatinhos” e, em outros países, como “Sandália de Vênus”. Existem muitos colecionadores dedicados exclusivamente ao cultivo destas orquídeas. São conhecidos no meio da orquidofilia como “sapateiros”.

Ainda, embora menos frequente, existem algumas regiões de nosso país onde estas plantas são conhecidas como queixudas, pelo formato do labelo.

Aliás, estes “sapatinhos” são plantas pertencentes à família Orchidaceae, e estão agrupados na subfamília Cypripedioideae, composta por 5 gêneros e aproximadamente 130 espécies, que habitam regiões temperadas do mundo, principalmente da Ásia, e com algumas poucas na América tropical. Estes gêneros são:

  • Cypripedium
  • Mexipedium
  • Paphiopedilum
  • Phragmipedium
  • Selenipedium

O curioso formato destas plantas é caracterizado por um labelo que se assemelha a uma taça ou saco, com uma sépala dorsal proeminente e com as sépalas laterais parcial ou totalmente fundidas (sinsépalas).

Hoje vou falar do fantástico Paphiopedilum Leeanum, um dos mais belos que conheço.

Trata-se de um híbrido primário resultante do cruzamento de Paphiopedilum insigne com Paphiopedilum spicerianum, e criado em 1884 por Sir James John Trevor Lawrence (1831 – 1913), horticultor e político inglês.

Lawrence trabalhou dez anos em Dharamsala, cidade ao norte da Índia e localizada nas encostas do Himalaia, região rica em orquídeas dos gêneros Paphiopedilum, Cymbidium e Dendrobium, entre outras, e onde começou sua coleção de orquídeas.

Lawrence foi presidente da Royal Horticultural Society (RHS), de 1885 a 1913, e presidiu a primeira conferência internacional sobre hibridação e genética.

Planta de pequeno porte e crescimento simpodial, como todas as orquídeas do gênero Paphiopedilum. Possui folhas finas e lanceoladas de aproximadamente 15cm de comprimento. A inflorescência é linda. Hastes de até 20cm de comprimento suportando uma única flor de aproximadamente 8cm de diâmetro.

Sépalas laterais (sinsépalas) de cor verde claro, pétalas laterais desta mesma cor mas rajadas de marrom, sépala dorsal que mescla branco e verde, com riscos verticais de cor púrpura, e um labelo em forma de bolsa onde predomina a cor marrom. Espetacular.

Muitas pessoas tem esta planta e a classificam erroneamente como Paphiopedilum insigne. Observem as imagens abaixo e o comentário que segue, que pode auxiliar na correta identificação:

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Paphiopedilum Leeanum

Foto retirada da internet - Site:
www.orquideas.eco.br/1025-paphiopedilum-leeanum/

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Paphiopedilum insigne

Foto retirada da internet - Site:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Paphiopedilum_insigne

A principal deiferença está na sépala dorsal. A parte pintada de verde no Paphiopedilum insigne normalmente ocupa quase que a totalidade sépala, enquanto que no Paphiopedilum Leeanum ocupa apenas 1/3 desta sépala. Ainda, nesta mesma sépala o Paphiopedilum insigne é densamente pintalgado, enquanto que no Paphiopedilum Leeanum existe algo parecido com um eixo de simetria vertical, é que foi herdado do Paphiopedilum spicerianum.

Seguem algumas recomendações para cultivo:

  • Apesar de se tratar de uma planta de hábito terrestre, um substrato normal para orquídeas epífitas é muito bom no cultivo desta planta. Terra pura tende a compactar e dificultar o crescimento das raízes. Sugiro a utilização de vasos de plástico ou caixetas, e com substrato poroso composto por partes iguais de turfa, esfagno, casca de pinus e carvão vegetal (os dois últimos bem triturados). Pode se acrescer ainda um pouco de terra adubada e areia grossa.
  • Ainda, esta orquídea não possui pseudobulbos, para acúmulo de macro e micro-nutrientes, precisando de mais água e adubação que o normal. Mantenha o substrato sempre úmido mas não encharcado.
  • O Paphiopedilum Leeanum precisa de boa sombra e temperaturas amenas. Recomendo cultivo em lugares com 50 a 60% de sombreamento, e temperaturas entre 0 e 30 graus. Nunca exponha esta planta a sol pleno.

Floresce no outono e sua floração dura em torno de 20 dias.

A seguir mostro algumas imagens desta estupenda orquídea:

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Planta de minha coleção

Foto:  Juan Pablo Heller

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Planta de minha coleção

Foto:  Juan Pablo Heller

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Foto retirada da internet - Site:
www.flickr.com/photos/newton56/9285836831

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Foto retirada da internet - Site:
http://arquivo.ufv.br/aoov/hibridos/p/paphiopedilumleeanum.htm

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Foto retirada da internet - Site:
http://www.imgrum.org/tag/sapatinhodevenus

E, como prometido, algumas fotos de quadros feitos pela Rosilene:

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Presente que ganhei da Rosilene

Foto:  Juan Pablo Heller

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Presente que ganhei da Rosilene

Foto:  Juan Pablo Heller

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Presente que ganhei da Rosilene

Foto:  Juan Pablo Heller

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Presente que ganhei da Rosilene

Foto:  Juan Pablo Heller

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Crédito fotográfico:  Rosilene V. Penka

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Crédito fotográfico:  Rosilene V. Penka

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Crédito fotográfico:  Rosilene V. Penka

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Crédito fotográfico:  Rosilene V. Penka

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Crédito fotográfico:  Rosilene V. Penka

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Crédito fotográfico:  Rosilene V. Penka

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Crédito fotográfico:  Rosilene V. Penka

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Crédito fotográfico:  Rosilene V. Penka

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Crédito fotográfico:  Rosilene V. Penka

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Crédito fotográfico:  Rosilene V. Penka

 

IMAGENS: fonte pesquisa GOOGLE

Este blog é dedicado a pessoas que, como eu, amam e cultivam orquídeas. Meu objetivo com este trabalho é conhecer pessoas, divulgar e trocar informações sobre estas plantas.

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Se você encontrar alguma foto de sua autoria neste blog, e desejar a remoção, por favor envie um e-mail para  que a mesma seja retirada imediatamente. Obrigado.

 

IMAGES: GOOGLE search

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6 pensamentos sobre “Paphiopedilum Leeanum

  1. Ótimo texto. Belíssimas as fotos e as pinturas da sua amiga Rosilene (por favor, transmita a ela meu sincero elogio). Gostei muito de conhecer a orquídea “Sapatinho”, mas confesso que gosto mais do nome “Sandália de Vênus”. Beijão.

    Curtido por 1 pessoa

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