Catasetum fimbriatum

 

Caros amigos (as):

Nos próximos 20 dias estarei em período de férias e sem acesso à internet. Portanto, nesse tempo não farei novas postagens. Vou recarregar as energias para falar sobre mais 345 lindas orquídeas em 2017.

Desejo a todos um ano novo pleno em realizações, e de muita paz, saúde e alegrias. Envio a todos um sincero e apertado abraço virtual, e um beijo repleto de carinho.

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Obrigado pela companhia.

Suspiros ..

Hoje é o último dia do ano. Dia especial, aula especial, sobre uma planta muito especial, de um gênero muito especial… o Catasetum.

Catasetum é um gênero da família Orchidaceae, composto por mais de 150 espécies originárias da América Latina, sendo que mais da metade são brasileiras. Em nosso país, as plantas deste gênero são encontradas com mais frequência na floresta amazônica e no cerrado de Mato Grosso e Brasília.

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Ocorrência Catasetum – América latina

Este gênero foi descrito em 1822, pelo renomado botânico alemão Karl Sigismund Kunth (1788 – 1850), que se celebrizou pelo trabalho pioneiro no estudo da sistemática das plantas dos continentes americanos.

Kunth dedicou mais de 20 anos de sua vida à tarefa de classificar as mais de 70.000 espécimes de plantas, que tinham sido recolhidas nas Américas pelos coletores Friedrich Wilhelm Heinrich Alexander von Humboldt (alemão), e Aimé Jacques Alexandre Goujaud Bonpland (Francês).

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Karl Sigismund Kunth

A obra mais famosa de Kunt é um marco da literatura botânica, e foi publicada em sete volumes. O nome é fácil: “Nova genera et species plantarum quas in peregrinatione ad plagam aequinoctialem orbis novi collegerunt Bonpland et Humboldt”. Decoraram?

O nome Catasetum deriva da latinização do grego: kata, que significa “para abaixo”, e seta, que significa “cerdas”, em referência ao formato da coluna do labelo.

As plantas do gênero Catasetum são exóticas e tem algumas particularidades muito interessantes:

Particularidade 1:

Diferente dos demais gêneros, em que as flores são todas hermafroditas, os Catasetum possuem flores masculinas, femininas e raramente hermafroditas. Isto também ocorre com os gêneros Mormodes e Cycnoches.

Particularidade 2:

As flores femininas de todas as espécies são praticamente iguais, verdes e em forma arredondada. Já as masculinas normalmente são menores, bem coloridas e bem diferentes entre as diversas espécies. É através das flores masculinas que podemos distinguir as distintas espécies deste gênero.

Particularidade 3:

Acredita-se que a quantidade de iluminação a qual a planta é submetida, modifica o sexo das flores de Catasetum. As femininas costumam aparecer nas partes mais elevadas das árvores, que recebem iluminação intensa, e as masculinas aparecem nas porções inferiores dos hospedeiros, onde recebem menos luminosidade. Como as flores masculinas são mais valorizadas, por seu colorido, o cultivador de plantas deste gênero deverá reduzir a luminosidade do seu orquidário.

Particularidade 4:

As flores hermafroditas são estéreis, ou seja, não produzem sementes férteis. Para que ocorra a reprodução, é necessário transferir as polínias da flor masculinas para o estigma das flores femininas. Somente assim poderemos gerar sementes férteis.

Particularidade 5:

No século XIX, o inglês Charles Darwin, conhecido mundialmente pela sua teoria da evolução das espécies, documentou que algumas orquídeas possuem truques eficazes para fazer a polinização. No caso do gênero Catasetum, sua fundamental peculiaridade é “atacar” os agentes polinizadores, garantindo sua preservação.

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Charles Darwin

As flores masculinas possuem a capacidade de disparar suas polínias sobre as costas dos insetos, quando estimuladas pelas vibrações geradas pelos passeios dos mesmos sobre seu labelo. Algumas espécies conseguem arremessar as polínias a mais de 2 metros de distância. Depois que as polínias se fixam no dorso do inseto, é só esperar pela sorte. Uma visitinha a uma flor fêmea é o suficiente para iniciar o processo reprodutivo. Apenas como curiosidade, sugiro que vejam no site abaixo um exemplo deste processo (muito interessante): https://www.youtube.com/watch?v=DgMRQzBEClE

Agora observem a foto abaixo. Não tem boa resolução mas ajuda para explicar os fenômenos que acabo de relatar. Esta foto mostra a inflorescência de um Catasetum viridiflavum com flores masculinas e femininas. A flor referenciada com o número 1, é fêmea e está com uma polínia fixada em seu estigma. A flor referenciada com o número 2 é masculina, e está desprovida de suas polínias, ou seja, já ejetou as mesmas. E por último a flor referenciada com o número 3, também masculina, e que ainda está com suas polínias.

Catasetum viridiflavum

Particularidade 6:

A inflorescência mostrada na foto acima, com flores de ambos os sexos, é um caso raro. Normalmente as hastes florais tem todas flores femininas, ou todas masculinas ou ainda todas hermafroditas.

Particularidade 7:

Na grande maioria das espécies de Catasetum, as plantas apresentam períodos de crescimento e dormência. Eles florescem antes do período de repouso, quando perdem as folhas.

Agora finalmente vamos ao estudo da planta do dia, o Catasetum fimbriatum.

Trata-se de uma magnífica planta originária do Brasil, Argentina, Bolívia, Guiana, Paraguai, Uruguai e Venezuela. No Brasil ocorre no Distrito Federal e nos Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, vegetando de forma epífita em matas de baixa altitude. Normalmente entre o nível do mar e 500 metros.

O nome da espécie, fimbriatum, deriva do latim e significa “com franjas”, pelo aspecto de seu labelo.

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Sinonímia: Catasetum cogniauxii; Catasetum fimbriatum var. aurantiacum; Catasetum fimbriatum var. brevipetalum; Catasetum fimbriatum var. fissum; Catasetum fimbriatum var. inconstans; Catasetum fimbriatum var. micranthum; Catasetum fimbriatum var. morrenianum; Catasetum fimbriatum var. ornithorhynchum; Catasetum fimbriatum var. platypterum; Catasetum fimbriatum var. subtropicale; Catasetum fimbriatum var. viridulum; Catasetum inconstans; Catasetum negrense; Catasetum orinthorrhynchum; Catasetum pflanzii; Catasetum wredeanum e Myanthus fimbriatus.

É uma planta robusta, com grosso rizoma e raízes cobertas por tecido velame. Seus pseudobulbos são grandes, grossos e fusiformes. Formato típico de “charuto” e tamanho “GG”, propício para acúmulo de grandes reservas de nutrientes para o período de dormência.

As folhas se originam da base dos bulbos. São grandes, finas e lanceoladas. As inflorescências também brotam da base dos pseudobulbos. Longas hastes de 25 a 40cm de comprimento suportando de 7 a 20 flores na metade superior.

Estas flores são muito perfumadas e tem em torno de 4cm de diâmetro. Existem grandes variações de cor entre as flores masculinas desta espécie.  Porém, a mais comum e conhecida tem sépalas e pétalas de cor amarela densamente pintalgada de vermelho, e um labelo lindamente franjado e de cor amarelo mais intenso. Linda, exótica e cativante.

Apesar desta planta originalmente ocupar uma vasta área de abrangência geográfica, infelizmente o Catasetum fimbriatum já é difícil de encontrar em seu habitat natural. A degradação de seu habitat e a coleta indiscriminada são os principais fatores do declínio ocupacional desta orquídea. Calcula-se que nos últimos 50 anos esta planta sofreu perda de mais de 75% da cobertura vegetal, sendo agora categorizada como “ameaçada de extinção“.

Abaixo relaciono algumas dicas de cultivo:

  • Sugiro cultivar o Catasetum fixado em tronco ou casca de árvore, com muitas raízes expostas. Esta planta precisa de grande aeração nas raízes.
  • Se sua opção for cultivo em vaso ou caixeta, então utilize um substrato confeccionado com partes iguais de casca de pinus, carvão vegetal e esfagno.
  • Muitos produtores utilizam garrafas PET cortadas ao meio para cultivo desta planta. Veja a foto abaixo. O fato da garrafa ser transparente ajuda a planta a realizar a fotossíntese pelas raízes. Recomendo.

catasetum-fimbriatum-pet

  • Cuidado com água acumulada no fundo. O substrato deve ser arejado e drenar a água imediatamente.
  • A rega é a parte mais critica no cultivo desta planta. Após a florada as folhas caem e inicia-se o período de dormência da planta. Nesse momento devemos suspender a rega e não deixar no tempo, sujeita a chuvas, sob pena de perder a mesma por apodrecimento. Se você perceber que os bulbos tem aparência ressecada, borrife apenas um pouquinho de água para umedecer levemente os mesmos. Quando a planta cessa o repouso e entra em atividade, com emissão de brotos e raízes, é hora de regar e adubar em abundância.
  • Sugiro cultivo com 50% de sombreamento, e temperaturas entre 10 e 35 graus.

Floresce normalmente no verão e sua floração dura em torno de 15 dias.

Seguem algumas fotos:

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IMAGENS: fonte pesquisa GOOGLE

Se você encontrar alguma foto de sua autoria neste blog, e desejar a remoção, por favor envie um e-mail para  que a mesma seja retirada imediatamente. Obrigado.

 

 

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