Brasilaelia lobata

 

O nome deste gênero, Brasilaelia, é uma conquista para nosso país. Com uma das floras mais ricas do mundo, inclusive falando de orquídeas, é um verdadeiro “pecado” deixar que estrangeiros batizem nossas plantas. Parabéns aos responsáveis por estas mudanças. E que venham mais Brasilaelias, mais Brasiliorchis, e novos gêneros e espécies com nomes “Silva, Souza, Costa, Santos, etc”.

Este maravilhoso gênero é composto por nove espécies:

  • Brasilaelia crispa
  • Brasilaelia fidelensis
  • Brasilaelia grandis
  • Brasilaelia lobata
  • Brasilaelia perrinii
  • Brasilaelia purpurata
  • Brasilaelia tenebrosa
  • Brasilaelia virens
  • Brasilaelia xanthina

A etimologia da palavra Brasilaelia é muito óbvia para nós. Significa “Laelia do Brasil”.

A planta do dia é a Brasilalelia lobata, que até pouco tempo atrás era classificada como Laelia lobata.

O nome desta espécie, lobata, é uma referência ao fato da flor desta orquídea ser trilobado.

Anteriormente esta planta foi classificada como Bletia boothiana; Bletia lobata; Laelia lobata; Cattleya lobata; Chironiella lobata; Hadrolaelia lobata; Laelia boothiana; Laelia grandis var. purpurea; Laelia riveri; Laelia virens e Sophronitis lobata.

A Laelia lobata  é uma orquídea de hábito rupícola típica da Mata Atlântica do sudeste brasileiro. Porém, atualmente apenas pode ser encontrada em alguns pontos isolados do Rio de Janeiro. Por isto, alguns autores a chamam carinhosamente de “orquídea carioca da gema”.

Quem quiser ver esta planta em seu habitat tem que ser um bom alpinista. O último reduto desta magnífica orquídea, onde ainda consegue resistir ao avanço do urbanismo, é pendurada sobre abismos, agarrada a fendas das rochas, no granito da Pedra da Gávea, ou no Morro Dois Irmãos ou, ainda, muito raramente, no Pão de Açúcar. Não existem registros da Brasilaelia lobata em outras localidades.

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Pedra da Gávea (Rio de Janeiro)

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Morro Dois Irmãos (Rio de Janeiro)

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Pão de Açúcar (Rio de Janeiro)

 

Lamentavelmente está é mais uma das tantas orquídeas que vem sofrendo um declínio contínuo no número de indivíduos. Por isto, a espécie corre sérios riscos de extinção, e esta listada como planta “severamente em perigo” pelo CITES – Convention on International Trade in Endangered Species of Wild Fauna and Flora (Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção).

A Brasilaelia lobata necessita de ação de manejo urgente para evitar que passe para o status de “extinta na natureza“.

Recentemente estava lendo um jornal e, para minha surpresa, no meio de tantas notícias ruins (corrupção, assaltos, terrorismo, etc), li uma reportagem que falava de nossa planta do dia. O mesmo citava que o Rotary Club do Flamengo, no Rio de Janeiro, está unindo esforços para tentar preservar esta espécie. Assim, no momento estão fazendo estudos de variabilidade genética, polinização, reprodução ex-situ, entre outras atividades. Boa sorte e parabéns pela iniciativa. Show de atitude.

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Algumas pessoas afirmam que 70 anos atrás, no começo do verão, as plantas desta espécie enchiam o Pão de Açúcar de manchas rosadas. Uma imagem que devia ser maravilhosa e que infelizmente não vi e nunca verei.

É uma planta de médio porte com rizoma robusto e raízes velamentosas. Possui pseudobulbos cônicos, longos e monofoliados. As Folhas são grossas, elípticas, lanceoladas e coriáceas.

Suas grandes flores perfumadas podem chegar a 12cm de diâmetro, suportadas por hastes florais de até 20cm de comprimento. Cada haste normalmente tem entre 2 e 5 flores.

Na flor “tipo” a cor predominante é o rosa claro, com labelo mesclando esta cor com uma tonalidade mais intensa do mesmo rosa. Lindíssima. Em termos de cor, existem ainda diversas variáveis de Brasilaelia lobata, podendo ser alba, semi-alba, concolor, coerulea, entre outras.

Uma outra planta que é bastante difundida, e que podemos encontrar com frequência em orquidários e exposições, é a Brasilaelia Pulcherrima. Embora muitas pessoas afirmem que é uma planta natural, trata-se de um híbrido primário obtido pelo cruzamento de uma Brasilaelia purpurata com uma Brasilaelia lobata. Abaixo mostro um exemplo:

brasilaelia-lobata-laelia-pulcherrima

Brasilaelia Pulcherrima

 

A Brasilaelia lobata Floresce normalmente no começo do verão e sua floração dura em torno de 20 dias.

É uma planta de fácil cultivo. Seguem algumas dicas:

  • Pode ser cultivada diretamente em árvores, cascas ou troncos, como todas as epífitas, ou ainda em vasos de plástico e caixetas. Eu costumo cultiva-las em caixetas de madeira, com substrato composto de partes iguais de casca de pinus, pedra brita e carvão vegetal.
  • Precisam de muita umidade, boa drenagem da água, e boa ventilação.
  • Na natureza esta planta vegeta ao nível do mar, fixa em rochas a pleno sol, e recebendo constantemente a brisa úmida vinda do mar. Isto nos deixa as dicas de cultivo com bastante luminosidade (entre 30 e 40%), alta umidade e adubação frequente.
  • A temperatura também é importante no cultivo desta planta. Ela gosta de calor, 10 a 40 graus. Proteja esta orquídea nos dias mais rigorosos do inverno.

Seguem alguns exemplos:

brasilaelia-lobata-1

 

brasilaelia-lobata-2

 

brasilaelia-lobata-4

 

brasilaelia-lobata-6

Brasilaelia lobata “tipo”

 

brasilaelia-lobata-alba-1

Brasilaelia lobata var. alba

 

brasilaelia-lobata-concolor

Brasilaelia lobata var. concolor

 

brasilaelia-lobata-semi-alba

Brasilaelia lobata var. semi-alba

 

brasilaelia-lobata-var-coerulea

Brasilaelia lobata var. coerulea

 

IMAGENS: fonte pesquisa GOOGLE

Se você encontrar alguma foto de sua autoria neste blog, e desejar a remoção, por favor envie um e-mail para  que a mesma seja retirada imediatamente. Obrigado.

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2 pensamentos sobre “Brasilaelia lobata

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