Epidendrum fulgens

 

Hoje vou falar de mais um “mega-gênero” da família Orchidaceae, o gênero Epidendrum, que atualmente possui perto de 1000 espécies. E já foi maior, quando gêneros como Encyclia, Prostechea, Anacheilium e Auliza ainda estavam subordinados a ele.

O nome Epidendrum deriva da latinização de duas palavras gregas: epi, que significa “sobre, em cima de”; e dendron, que significa “árvore”; referindo-se à maneira como vivem a maior parte destas espécies deste gênero, epífitas.

A principal característica que distingue este gênero dos demais, é o labelo soldado à coluna em todo seu comprimento, formando um tubo.

Estas plantas, de hábito epífita, rupícola e terrestre, são originárias das Américas, desde o hemisfério norte (EUA), até o hemisfério sul (Argentina).

Ainda, este gênero possui diversas variações de formato, desde miniaturas de dois centímetros de altura até gigantes de dois metros. Algumas espécies são pendentes, algumas rasteiras, outras eretas, algumas possuem pseudobulbos, algumas um longo caule com folhas dísticas, outros apenas curtos caules forrados de folhas carnosas.

A orquídea do dia é o Epidendrum fulgens, descrito em 1834 pelo botânico francês Adolphe-Théodore Brongiart. Esta planta é conhecida popularmente por “orquídea-da-praia”, “orquídea-da-restinga” e por “sumaré-da-praia”.

É uma planta originária da Serra do Mar, desde  o Rio de Janeiro até o norte de Rio Grande do Sul, onde vegeta perto do mar em altitudes de até 100 metros.

Trata-se de uma espécie terrestre, típica de regiões de restinga, onde vegeta em campos arenosos a pleno sol na beira do mar, ou em dunas. Cresce muito rápido e forma enormes touceiras. Eventualmente pode ser encontrada fixada em rochas próximas ao mar, habitando de forma rupícola.

O nome da espécie, fulgens, deriva do latim: fulgere, que significa “fúlgido”, “brilhante”, “cintilante”. Uma provável referência ao brilho das flores em seu habitat, iluminadas pelos raios solares refletidos pelo mar.

Anteriormente esta orquídea foi classificada como Epidendrum bradeanum e Epidendrum mosenii.

A forma de crescimento desta planta é chamada de pseudomonopodial, ou seja, cresce contínuamente no ápice do caule, como acontece nas plantas de crescimento monopodial, mas brota também das gemas presentes em seu rizoma, como acontece nas plantas de crescimento simpodial.

Possui rizoma ramificado, suportando pseudobulbos em forma de cana que podem passar de um metro de altura. Estes por sua vez carregam folhas elípticas e coriáceas de aproximadamente 9cm de comprimento, dispostas de forma alternada sobre os bulbos.

Uma característica desta planta é o tamanho dos pseudobulbos. Quanto maior a claridade menor serão os mesmos. A mesma planta que atinge poucos centímetros de altura cultivada a pleno sol na praia, pode passar de um metro e meio se cultivada em lugar sombreado.

As raízes são velamentosas e surgem tanto do rizoma como dos pseudobulbos.

A inflorescência do Epidendrum fulgens é ereta e apical. Hastes que variam de 10 a 40cm de comprimento, com dezenas de flores que abrem em sucessão formando uma “bola” de flores.

Estas flores tem em média 1,5cm de diâmetro e não ressupinam, ou seja, não fazem o movimento de até 180 graus destinado a colocar o labelo na posição horizontal, como se fosse uma plataforma ou uma pista de aterrissagem, visando facilitar ao máximo o trabalho dos agentes polinizadores.

Existem muitas variações desta orquídea em relação ao colorido de suas flores. A mais comum se apresentam com pétalas e sépalas laranja-avermelhados e labelo de cor laranja mais claro. Porém, existem outras de cor predominantemente amarela, vermelha ou rosa. Todas são lindas.

As magnificas inflorescências ocorrem no verão, porém normalmente florescem mais de uma vez por ano. Cada floração dura em torno de 45 dias. Bem adubada e cuidada pode ficar praticamente o ano inteiro florida.

É uma orquídea que considero muito fácil de cultivar. Seguem algumas recomendações:

  • Utilize vasos de plástico ou caixetas de madeira, e um substrato composto por partes iguais de casca de pinus, carvão vegetal, pedra brita e areia grossa. Se tiver turfa também pode acrescentar.
  • Deve ser tutorada para evitar que os bulbos se quebrem, e também por questões estéticas.
  • Cuidado com a drenagem. Esta planta não tolera excessos nas raízes, que apodrecem se ficarem encharcadas.
  • Gosta de bom nível de luminosidade. Recomendo cultivo em lugares com apenas 20% de sombreamento.
  • Quanto a temperatura também é uma planta muito resistente, suportando variações desde zero até 40 graus.
  • Mais uma característica desta planta é o frequente surgimento de keikis. Assim que estas mudas aéreas tiverem pelo menos 3 raízes boas, elas podem ser retiradas e plantadas em outros vasos.

Orquídea indispensável em qualquer coleção.

Seguem algumas fotos ilustrativas.

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IMAGENS: fonte pesquisa GOOGLE

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4 pensamentos sobre “Epidendrum fulgens

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